domingo, 23 de março de 2014

                                                             Inclusão Escolar- PS

              A inclusão escolar implica mudança paradigmática, ou seja, uma concepção de homem, de mundo, de conhecimento, de sociedade, de educação e de escola, pautado nas dimensões do heterogêneo, da não dualidade, da não fragmentação, e das diferenças multiculturais, do original e singular humano. Uma escola com valores e atitudes diferentes, frente às suas praticas educacionais, não em uma visão adaptativa as pessoas com deficiência física ou sensorial, como a integração escolar o faz, mas, uma escola que entende que todos que ali estão são diferentes e, portanto, suas praticas são naturalmente na visão da heterogeneidade de ações e atores. Respaldar-se nas práticas de ensinos escolares usuais, para justificar a exclusão é não acreditar que a escola possa mudar essas práticas e, que deve fazê-lo, para beneficiar as pessoas com surdez, e também todos os demais alunos. E esse é o mote da inclusão.
                Consideramos que a escola comum é a melhor escola para pessoas com surdez. O agrupamento pelas deficiências baseia-se na padronização e essa referência prejudica o desenvolvimento de qualquer pessoa, pois suprime o contraditório, o ambíguo, o desafio provocado pelas diferenças. É preciso lutar pela defesa da inclusão das pessoas com surdez na escola comum, dado que este é um espaço de responsabilidade social, coletiva, que procura garantir o exercício da cidadania para todos. Há que se pensar em uma escola que se organiza para todos e na qual todas as diferenças sejam reconhecidas e valorizadas.
                 A inclusão escolar do aluno com surdez deve envolver essa criança, desde a educação infantil até a plena escolarização, visando a garantia, que ela possa, desde cedo utilizar os meios que necessita para vencer suas dificuldades e usufruir dos seus direitos escolares.
                 Segundo essa autora o ambiente, em que essa pessoa com surdez esta inserida, em especial o da escola, na medida em que não lhe oferece condições para que se estabeleçam trocas simbólicas com o meio físico e social, não exercita ou provoca a capacidade representativa dessas pessoas e, consequentemente compromete o desenvolvimento do pensamento.
                Pensando nas práticas educacionais adaptativas que estão acontecendo na escola comum em favor dos alunos com surdez, idealizadas em função de suas limitações, baseando-se em compensações, tais como: intérpretes na sala de aula, ensino especial substitutivo, reforço escolar, professor itinerante, língua de sinais para o ensino da língua portuguesa ou professor de sala comum com o aluno de surdez no espaço sem nada para ajudá-lo, observamos que trata-se, no minimo de um grande equívoco e de um conjunto de procedimentos, apoios e arranjos que não condizem com o que é preciso e possível criar para fazer da escola comum um espaço inclusive de aprendizado para todos.
               Na visão inclusiva, é preciso ir além da superação da estrutura educacional atual das escolas e enfrentar a questão da formação de professores comuns e especializados.
               Os alunos surdos tem o direito de ter acesso ao conhecimento através da sua própria língua, ou seja, a língua de sinais portanto a aquisição da linguagem é fundamental para que o sujeito surdo possa reescrever-se através da interação social, cultural, política e científica.

                O AEE PS deve ser visto como construção e reconstrução de experiências e vivências conceituais, em que a organização do conteúdo curricular não deve estar pautada numa visão linear, hierarquizada e fragmentada do conhecimento. Dessa forma, o AEE PS precisa ser pensado em redes interligadas, sem hierarquização de conteúdos, sem dicotomizações, reducionismos; mas com uma ação conectada entre o pensar e o fazer pedagógico.