Inclusão Escolar- PS
A inclusão escolar implica
mudança paradigmática, ou seja, uma concepção de homem, de mundo, de
conhecimento, de sociedade, de educação e de escola, pautado nas dimensões do
heterogêneo, da não dualidade, da não fragmentação, e das diferenças
multiculturais, do original e singular humano. Uma escola com valores e
atitudes diferentes, frente às suas praticas educacionais, não em uma visão
adaptativa as pessoas com deficiência física ou sensorial, como a integração
escolar o faz, mas, uma escola que entende que todos que ali estão são
diferentes e, portanto, suas praticas são naturalmente na visão da
heterogeneidade de ações e atores. Respaldar-se nas práticas de ensinos
escolares usuais, para justificar a exclusão é não acreditar que a escola possa
mudar essas práticas e, que deve fazê-lo, para beneficiar as pessoas com
surdez, e também todos os demais alunos. E esse é o mote da inclusão.
Consideramos que a escola comum
é a melhor escola para pessoas com surdez. O agrupamento pelas deficiências
baseia-se na padronização e essa referência prejudica o desenvolvimento de
qualquer pessoa, pois suprime o contraditório, o ambíguo, o desafio provocado
pelas diferenças. É preciso lutar pela defesa da inclusão das pessoas com
surdez na escola comum, dado que este é um espaço de responsabilidade social,
coletiva, que procura garantir o exercício da cidadania para todos. Há que se
pensar em uma escola que se organiza para todos e na qual todas as diferenças
sejam reconhecidas e valorizadas.
A inclusão escolar do aluno com surdez
deve envolver essa criança, desde a educação infantil até a plena escolarização,
visando a garantia, que ela possa, desde cedo utilizar os meios que necessita
para vencer suas dificuldades e usufruir dos seus direitos escolares.
Segundo
essa autora o ambiente, em que essa pessoa com surdez esta inserida, em
especial o da escola, na medida em que não lhe oferece condições para que se estabeleçam
trocas simbólicas com o meio físico e social, não exercita ou provoca a
capacidade representativa dessas pessoas e, consequentemente compromete o
desenvolvimento do pensamento.
Pensando nas práticas educacionais adaptativas
que estão acontecendo na escola comum em favor dos alunos com surdez,
idealizadas em função de suas limitações, baseando-se em compensações, tais
como: intérpretes na sala de aula, ensino especial substitutivo, reforço
escolar, professor itinerante, língua de sinais para o ensino da língua
portuguesa ou professor de sala comum com o aluno de surdez no espaço sem nada
para ajudá-lo, observamos que trata-se, no minimo de um grande equívoco e de um
conjunto de procedimentos, apoios e arranjos que não condizem com o que é
preciso e possível criar para fazer da escola comum um espaço inclusive de
aprendizado para todos.
Na visão inclusiva, é preciso ir além da
superação da estrutura educacional atual das escolas e enfrentar a questão da
formação de professores comuns e especializados.
Os alunos surdos tem o direito de ter acesso
ao conhecimento através da sua própria língua, ou seja, a língua de sinais
portanto a aquisição da linguagem é fundamental para que o sujeito surdo possa reescrever-se
através da interação social, cultural, política e científica.
O AEE PS deve ser visto como
construção e reconstrução de experiências e vivências conceituais, em que a
organização do conteúdo curricular não deve estar pautada numa visão linear,
hierarquizada e fragmentada do conhecimento. Dessa forma, o AEE PS precisa ser
pensado em redes interligadas, sem hierarquização de conteúdos, sem
dicotomizações, reducionismos; mas com uma ação conectada entre o pensar e o
fazer pedagógico.